Preservação do Patrimônio Marítimo Brasileiro – resgate dos Classe Brasil

É fato que a história náutica brasileira se perde a cada dia por falta de ações do governo ou da própria sociedade, que não mantém um registro histórico desse patrimônio.

Na foto o Veleiro Ondina, na época, com o nome Bermuda e abandonado em uma marina no canal de Bertioga – SP – Foto: Max Gorissen

A Marinha Brasileira, que deveria guardar com zelo e disponibilizar esta informação, sequer tem controle sobre seus registros mais antigos.

Descontadas algumas iniciativas individuais, que acabam virando livro ou sites particulares (como é o caso da SailBrasil.com.br), e alguns museus que mantêm nosso patrimônio, é praticamente nulo, no Brasil, o registro à disposição para consulta sobre embarcações de um modo geral, o que dizer de veleiros.

Já tentei resgatar a história dos nossos veleiros com uma ação chamada “Cadastro Nacional de Veleiros Brasileiros” em 2015, contudo, não obtive participação da sociedade náutica, mas, como todo bom apaixonado por veleiros, continuei “catando” aqui e ali informações de veleiros brasileiros que prontamente eram atualizados no “Cadastro de Veleiros Particulares” da SailBrasil.

Costumo agir sempre da mesma maneira. Quando algo me incomoda, não adianta reclamar e, por isso, incorporei na nova missão da SailBrasil ações para promover a Preservação do Patrimônio Marítimo Brasileiro – com foco exclusivo em veleiros.

Estas são os principais objetivos/ ações:

  • A salvaguarda do património marítimo através de consultoria e suporte à identificação, análise, compra, restauração e posterior manutenção de veleiros;
  • A organização de reuniões de análise e descoberta para o adequado registro, manutenção e restauração dos veleiros;
  • Pesquisa sobre a história de veleiros brasileiros importantes ou relevantes;
  • A organização da palestra, estudo, publicação (digital) e treinamento sobre estes veleiros;
  • A organização de oficinas de vela para crianças nestes veleiros.

Como serão organizados e realizados os trabalhos:

Através da formação de “comissões de associados responsáveis” que participarão de reuniões “presenciais” mensais e de reuniões virtuais semanais para levantar informações e discutir com profundidade sobre os modelos de veleiros/ veleiro particular escolhido(s) e sua situação montando um relatório técnico e histórico.

Estas comissões, terão por objetivo identificar:

  • Valor e significado histórico de determinada embarcação, modelo ou classe a vela;
  • Identificação de todas as embarcações desse modelo/ classe ainda existentes, sua localização ao longo do tempo, proprietários desde sua concepção (design), estaleiros ou construtores, materiais e estado geral atual;
  • Registro de todas as modificações e reparos ocorridos (quando possível) desde que foi construído incluindo, se possível, o registro do que ocorreu com todos os materiais removidos, sua localização atual e, novamente, se possível, possibilidade de resgate e incorporação deste novamente na embarcação;
  • Registro fotográfico detalhado das embarcações hoje, localização de projetos/design, artigos escritos, livros escritos, documentos, fotos de época, planilhas de regatas, relatos de pessoas que neles velejaram, filmes e, qualquer outro apontamento que colabore para o completo registro da história da embarcação/modelo/ classe;
  • Estudo de viabilidade de aquisição, conservação/ preservação/ restauração e manutenção ou do melhor processo de “desconstrução” para o caso de veleiros sem a mínimo condição de restauração/ preservação, com o registro do processo construtivo, dos materiais utilizados e do que pode ser resguardado para mostra em museu;

Para manter um processo organizado e científico, serão utilizados para os trabalhos, em parte ou na sua totalidade, dependendo do caso, os livros da série Understanding Historic Vessels, editados pela National Historic Ships da Inglaterra:

  • “Recording Historic Vessels – Volume 1”
  • “Deconstructing Historic Vessels – Volume 2”
  • “Conserving Historic Vessels – Volume 3″

Como você pode participar?

Primeiramente, participarão ativamente deste trabalho apenas voluntários que sejam associados à SailBrasil.

Pessoas não associadas à SailBrasil poderão ser consultadas e poderão participar somente por causa de seu conhecimento (pessoas que tem alguma informação, fotografia, registro ou outro relevante ou que sabem tudo sobre determinados veleiros). Um registro histórico completo somente será possível se for baseado na experiência de tantas pessoas quanto possível. Cada um tem um detalhe, informação ou experiência que pode ajudar e completar lacunas na história. A efetividade da ação depende da cooperação de todos que conhecem e amam os veleiros.

A SailBrasil já oferece um grande banco de dados de embarcações registradas no Brasil, fruto de anos de trabalho de compilação e organização das poucas informações que fui conseguindo e que estarão disponíveis a qualquer momento para estas comissões.

A primeira classe de veleiros escolhida não seguiu nenhum critério, foi escolhida simplesmente por seu nome: Classe Brasil.

Modelo Classe Brasil (a seguir, informações retiradas da página dos Classe Brasil na SailBrasil.com.br)

Foto: Max Gorissen

Características técnicas

  • Estaleiro: Arataca
  • Comprimento: 13,30m
  • Linha d´água: 8,42m
  • Boca: 3,06m
  • Calado: 1,80m
  • Área vélica: 64,1m²
  • Área mestra: N/D
  • Área genoa: N/D
  • Área balão: N/D
  • Deslocamento: N/D
  • Projetista: Sparkman & Stephens
  • Material do casco: Madeira

A Classe Brasil surgiu da percepção do Sr. Pimentel Duarte que sentindo a necessidade de um barco de oceano adequado para cruzeiros e regatas mais longas em nosso litoral, entre elas a Buenos Aires-Rio, encomendou à firma Sparkman & Stephens o projeto do Classe Brasil, um “Slupe” de 42 pés.

Copyright: Sparkman & Stephens

A Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945) atrapalhou um pouco os planos e a construção, pois nessa época o Senhor Olin Stephens trabalhava para a marinha americana fazendo projetos de embarcações.

Em 1949 foi para a água o primeiro de uma série de 10 barcos, o “Ondina”, de Joaquim Belem, que seria vencedor das duas primeiras Regatas Santos-Rio.

Em 1953 o Classe Brasil Cairu II, de Jorge Frank Geyer (filho de Leopoldo Geyer), venceria a III Buenos Aires-Rio.

O veleiro tem 40 pés, é baseado no Mackinak, outro projeto Olin, mas adaptado às condições de vento daqui.

Os primeiros veleiros saíram com um motor auxiliar “Gray” de 4 cilindros, 25 HP, Direct Drive e hélice automática Hyde Windlass de 16 x 7.

Os últimos dois veleiros Classe Brasil foram construídos em Salvador.

Depois dos anos 60, a nossa Vela de Oceano começou a crescer e se modernizar com o aparecimento dos cascos de “plástico” (fibra de vidro) reforçado e as velas de fibras sintéticas.

Veleiros Classe Brasil 40 conhecidos:

  • Ondina (de Joaquim Belem)/ Bermuda – Video registrando os últimos dias deste veleiro
  • Sagres V (ex: Cairu II de Jorge Frank Geyer)
  • Mistral (vencedor da Buenos Aires – Rio e da Santos – Rio nos anos 50)
  • Cairu II
  • Malagô (construído no ICB, Salvador – BA)
  • Turuna (vencedor da Santos–Rio 1962)
  • Procion/ Flegon
  • Asa Branca II (?)
  • Cangaceiro
  • Cangrejo (?)

Estaleiro Arataca fabricava veleiros da classe Brasil

O estaleiro, que data de 1907, ocupava uma área de 15 mil metros quadrados e em 1952 empregava 114 funcionários, sendo de propriedade do Almirante Saldanha da Gama.

Além de realizar reformas de barcos, produziu na época vários veleiros da Classe Brasil.

Matéria do Veleiro Classe Brasil – Ondina copiado da antiga revista Yachting Brasileiro de Janeiro de 1949 e intitulado “Classe Brasil – Lançada ao mar a sua primeira unidade” por Paulo Muniz.

Quer participar?

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Se for, envie um e-mail informando do seu interesse para contato@sailbrasil.com.br

Não importa se você reside em outra cidade, estado ou país, faremos sempre as reuniões com apoio virtual através do Skype e de e-mail, permitindo assim, com que todos participem e recebam todas as informações produzidas pela comissão.

Vamos resgatar a história dos veleiros do Brasil

Fico a disposição.

Bons ventos!

 

Max Gorissen
Editor SailBrasil.com.br, SailBrasil Magazine, SailBrasil Business e velejador.

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