Quais são os custos fixos de um veleiro no Brasil?

Recebo esta pergunta com certa frequência e, por este motivo, decidí que o primeiro artigo da nova coluna sobre Gestão Financeira de Embarcações deveria abordar este assunto.

Existem muitos custos relacionados à propriedade de um veleiro e vou tentar lista-los e discorrer sobre alguns para servir de referência para quem estiver querendo adquirir um veleiro, querendo checar se está desenbolsando um valor justo ou usar estas informações de base para reformular seus custos no caso de estar pagando muito.

Esta é uma lista de custos fixos básicos e seus valores, que não incluo aqui, deverão ser identificados e adequados à cada região do Brasil:

Preço de compra.

Por incrível que pareça, este pode ser o único custo de propriedade de um veleiro que você pode realmente controlar e, basicamente, vai depender do seu orçamento e dos critérios que você estabelecer para o tipo/ tamanho/ utilização do veleiro.

 

Impostos.

Os únicos impostos que se pagam em um veleiro, ou qualquer outra embarcação NOVA, é o ICMS que é de 18%.

No Brasil, não há imposto anual sobre a propriedade do veleiro.

Também não existem impostos sobre o valor do veleiro caso este seja de outro estado, como acontece nos USA (No estado Norte Americano da Carolina do Sul, os proprietários de barcos pagam um imposto igual a 10,5% do valor avaliado dos barcos anualmente se o barco passar mais de 180 dias no estado).

 

Seguro.

  • Seguro Obrigatório (DEPEM) – barcos até 12 passageiros – em 2018, o pagamento deste, conforme Circular da Diretoria de Portos e Costas, na qual mantém suspenção do seguro obrigatório (DPEM) em decorrência da atual inexistência de sociedade seguradora que realize referido seguro. Veja: https://sailbrasilnews.com/2018/01/18/seguro-obrigatorio-de-embarcacoes/
  • Seguro Responsabilidade Civil (RCF)
  • Seguro Embarcação (SER)
  • Seguro Regatas – acréscimo de 20% no valor da apólice.

Como os seguros RCF, SER e de Regatas dependem de cada embarcação, entre em contato com uma seguradora.

 

Registro.

A inscrição, é o seu cadastramento nas Capitanias e suas Delegacias e Agências, com atribuição do nome e do número de inscrição a embarcação, e a expedição do respectivo documento (TIE ou TIEM).

Os procedimentos para inscrição e registro dependem do porte da embarcação, considerando-se para esse fim seu comprimento e Arqueação Bruta.

Maiores informações: https://www.marinha.mil.br/

 

Vaga molhada/ Vaga no seco/ Poita.

Se o seu veleiro for maior do que um dinghy (que pode ser guardado na sua garagem), necessariamente, precisará guardar o veleiro em uma marina, iate clube, clube de vela ou deixá-lo flutuando em uma poita.

 

Translado terra-veleiro-terra.

Se você utilizar uma poita, você precisará de uma balsa, bote, caiaque ou, como muitos hoje em dia, um stand-up, para chegar ao seu barco ou para voltar à terra. Na maioria das vezes, estes tem de ser armazenados em algum local em terra para serem utilizados apenas quando necessário. Estes locais em terra, geralmente, cobram uma taxa pela estadia e guarda mensal da embarcação.

Outra opção, são os serviços de transporte oferecidos por algumas marinas ou por associações (um exemplo é a AUMAR – Associação Usuários Marina Saco da Ribeira em Ubatuba ou mesmo o ICRJ – Iate Clube do Rio de Janeiro, que fornece aos seus associados a catraia que leva e traz o pessoal à embarcação em poita) que possuem embarcações que fazem o translado terra-veleiro-terra cobrando uma taxa mensal pelo serviço ou como parte do custo mensal do associado como no caso do ICRJ.

 

Carreta/ carreta de encalhe.

Muitos pensam que a carreta somente tem um custo inicial de aquisição, contudo, como a grande maioria dos veleiros grandes ficam na água flutuando (pier ou poita), a carreta passa a ser um empecilho para o proprietário que tem de guarda-la em algum local… se você possui um garagem ou jardim para guarda-la e está disposto a colocar na água e tirar o veleiro toda vez que quiser navegar, esqueça este custo, contudo, a maioria das pessoas que possuem carretas precisam de um estacionamento ou de um depósito em uma marina e este local terá um custo mensal.

 

Armazenagem durante o inverno.

Faço menção a este custo apenas para registra-lo como um dos possíveis custos, ja que, a menos que você viva em um país de clima frio onde a água chegue a congelar ou onde exista neve durante o inverno, o que não é o caso do Brasil, planeje o orçamento para o armazenamento (pode ser uma cobertura plástica para evitar com que o gelo se deposite no cockpit/deck, retirada do veleiro da água em locais nos quais esta congele ou guarda em galpão climatizado) do veleiro durante o inverno. Lembre-se de que este serviço também deverá incluir a retirada/ colocação do veleiro na água e o aluguel, caso você não possua uma carreta, de suportes/cavaletes.

 

Manutenção.

Convenciona-se que o valor base para a manutenção anual de qualquer embarcação seja de cerca de 10% do valor do barco. Isso inclui pintar o fundo do casco com algum tipo de “venenoza” todos os anos. Apesar desta porcentagem incluir a substituição de peças por desgaste, esta não inclui, no caso do veleiro, a substituição das velas todos os anos.

 

Combustível, óleos e líquidos variados para o motor.

Se seu veleiro for somente a vela… Nenhum! Um veleiro é completamente movido a vento.

Se você optar por um veleiro com um motor, seja de centro ou de popa, lembre-se de incluir custos como trocas de óleo, filtros e reparos mecânicos… como em um carro.

 

Salvatagem/ itens de segurança.

Você vai querer comprar um colete salva-vidas para cada membro da sua família e ter alguns extras disponíveis para a tripulação visitante. Estes, apesar de que ninguém se preocupa em verificar, tem data de validade e a cada tanto a marinha lembra de verificar e multar se vencido (muito raro de acontecer).

No vaso de aquisição de uma balsa salva vidas, você incorrerá no custo anual de revisão e, dependendo dos víveres incluídos na balsa, da troca dos mesmos por novos dentro da data de validade.

 

Equipamento de navegação.

Vai de cada um decidir que/ quais/ quantos equipamento(s) “precisa” para navegar… e quando substituí-los pelos novos “último-modelo-hiper-super-duper” …

 

Marinheiro.

Para muitos é uma necessidade, para outros é uma incoveniência necessária… para outros, nem pensar!

Cada um tem de decidir por sí se precisa de um marinheiro ou de apenas um cuidador ou lavador de veleiro… ou ninguém. Lembre-se de que um marinheiro, na teoria, é um funcionário e, por isso, você deve registra-lo e ater-se às leis trabalhistas.Importante lembra de que qualquer pessoa, mesmo em trabalhos temporários, como no caso de um lavador ou mergulhador que veio tirar as cracas do seu casco, se não existir um contrato com uma empresa (PJ), no caso deste se machucar enquanto executa o serviço na sua embarcação, a responsabilidade é sua e você poderá ter de arcar com os custos médicos ou com a dor de cabeça de uma ação legal… para evitar problemas, pague o INSS da prestação de serviço.

 

Custos Associações.

Este é outro custo que depende de cada proprietário… temos diversos custos como: Associações de vela/ velejadores (ABVC, etc), Associações de Regata (ABVO, etc), Ratings e medição de embarcações (IRC, RGS, ORC, etc), entre outros. Geralmente, estas possuem um custo anual de associação e custos individuais por eventos.

 

Delivery.

O delivery é um serviço de leva-traz de veleiros para diferentes lugares executado por alguém com habilitação ou conhecimento para realizar tal trabalho. Apesar de ser mais utilizado em embarcações de oceano entre dois portos/ cidades, pode incluir também o transporte rodoriario em carreta.

 

Custos diversos.

Custos diversos são basicamente tudo o que estou esquecendo nesta lista… Velejadores, ajudem a completa-la!

 

Esta, como mencionado, é uma lista de custos mensais e anuais que toda embarcação, em especial um veleiro, terá.

Futuramente, abordarei cada uma com uma matéria específica.

 

Bons ventos!

 

Max Gorissen

Editor SailBrasil.com.br, SailBrasil News e SailBrasil Magazine

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