A Fortaleza da Barra Grande na 15ª Semana Nacional de Museus-IBRAM

Foto: Victor Hugo Mori – Arquiteto do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Honrado com o convite para proferir a palestra de abertura da 15ª Semana Nacional de Museus, na Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, no dia 16 de maio próximo (terça-feira), a partir das 09h30  – com distribuição gratuita do livrete Bem-vindo á FORTALEZA DE SANTO AMARO – fui consultar um artigo que escrevi na Revista Leopoldianum, nº 55, vol XIX, 1993, com o título: A História, a batalha, as crônicas, as intenções.

No artigo destaquei as 13 crônicas que a saudosa jornalista Lydia Federici (1919-1994) escreveu na sua coluna “Gente e coisas da Cidade”, do Jornal A TRIBUNA de Santos, num curto espaço de ano e meio (out.1991/jul.1993). Lydia sempre comparecia às reuniões da comissão pró-fortaleza, capitaneadas por professores/professoras da Universidade Católica de Santos. Sem poder ver aquela fortificação quinhentista restaurada, escreveu na penúltima frase do 13º artigo, em 30 de julho de 1993: “Viva o reaparecimento do telhadinho. Simbolizando a força interior do santista de ontem e de hoje”. Referia-se ao novo telhado da Capela da Fortaleza, pois a cobertura do pavilhão principal estava ainda em construção na extinta COSIPA, em aço cos-a-cor, com projeto do arquiteto Lucio Costa, um dos idealizadores da cidade de Brasília. Com problema de saúde, Lydia não mais compareceu às reuniões que tanto amava e nem pode dizer novamente: “Salve a Espanha. Que há séculos a construiu!”

Foto: Victor Hugo Mori – Arquiteto do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Para melhor entendimento do que ocorreu naqueles anos finais do século XX, acrescentei um “prólogo” e alguns dados importantes sobre a história da Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande:

Na mitologia grega a “Fenix” tornou-se um símbolo de força, do renascimento e da imortalidade. A Fortaleza de Santo Amaro tinha a força do troar dos canhões, renasceu aos 410 anos (1583/1993) e, aguarda, impoluta, a imortalidade como Patrimônio da Humanidade.

No último quartil do Século XX o arquiteto Victor Hugo Mori, do IBPC – hoje IPHAN –, assim se expressou:

“A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande corre o risco de receber a classificação de ruínas, pelas normas previstas na Carta Internacional de Veneza, Itália, 1964, o que impediria sua restauração. ”

Este “alerta” deu início a uma verdadeira “batalha de salvamento” do mais expressivo conjunto arquitetônico-militar do Estado de São Paulo, tão bem descrita pela saudosa jornalista Lydia Federici.

A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, Guarujá, SP, baluarte do sistema defensivo da Baía de Santos na Colônia, no Império e no início a República do Brasil (1583 / 1902) está entre as poucas fortificações do mundo que possuem “certificação de nascimento”, em registro de doze páginas manuscritas que se encontra no Archivo General de Indias, Sevilla, Espanha, datado de 5/8/1583, chacas 41, Doc 27, págs 6, do segundo relatório enviado pelo almirante Dom Deigo Flores Valdés ao rei Felipe II de Espanha (Felipe I de Portugal).

Foto: Victor Hugo Mori – Arquiteto do IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Neste momento em que se inicia uma outra “batalha” de preparação para o título de Patrimônio Mundial pela UNESCO – Nações Unidas para a Cultura, Educação e Ciência –, a Secretaria de Cultura de Guarujá e a diretoria do Museu Histórico Fortaleza de Santo Amaro me permitem destacar aquela “operação de salvamento” realizada no último quartil do Século XX.

 

 

Afinal, o mais importante “casulo arquitetônico-militar” do Estado de São Paulo, de origem espanhola, nasceu sob o troar dos canhões, numa batalha naval ocorrida na tarde de 24 de janeiro de 1583, na Baía de Santos e, há mais de um século, suas muralhas de pedras deixaram de ser guarnecidas com canhões coloniais, manobrados por homens construtores do perfil militar da nossa História. Hoje a Fortaleza de Santo Amaro se prepara para “receber amigos/as”, para os/as quais deixo aqui a última frase da saudosa jornalista Lydia Federici:

“Pois é isso. Então, ao menos em imaginação, ajude, amigo, com maior ou menor força que você tem, a segurar as paredes da antiga Fortaleza da Barra, Tá?”

Elcio Rogerio Secomandi – RG 02.314.229-08

MD Cel Art Rfm – Professor Emérito da UniSantos

Av. Presidente Wilson, 2219 apto 151, Santos, SP, CEP 11.061.201

E-mail: ersecomandi@gmail.com    Fone: (13) 3237.1022

Para saber mais: sobe a Fortaleza: www.secomandi.com.br/fortalezadabarra ou sobre 15ª Semana Nacional de Museus: http://guiadaprogramacao.museus.gov.br/    São Paulo/ Guarujá/ Museu Histórico Fortaleza de Santo Amaro.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s