Resultado da Pesquisa SailBrasil sobre a vela no Brasil.

Estamos iniciando um trabalho para mapear e entender o mercado da vela no Brasil.

Começamos, como sempre, com uma ação simples: Perguntar aos nossos usuários sua opinião do que acham de bom e de ruim no mercado da vela brasileiro.

Se tiver interesse em ler o e-mail enviado aos nossos 9.745 usuários atuais (12/04/2017): http://www.sailbrasil.com.br/sbnews/sbnews-20170412.html

Fizemos uma pergunta simples e aberta (Baseado em suas experiências na vela, o que acham de bom e de ruim no mercado da vela brasileiro?), uma pergunta que dá margem a várias interpretações e que gerou opiniões das mais diversas… é assim que queríamos iniciar este trabalho; deixando nossos usuários a vontade para dizer o que sentem e, futuramente, com novas pesquisas, ir fechando as perguntas para obter mais detalhes até chegar às “chatas e maçantes” estatísticas.

O interessante desta pesquisa é que retrata as opiniões de quem tem/ teve veleiro ou está intimamente inserido no mundo da vela (capitães e tripulação).

Alguns dos comentários poderão parecer duros, contudo, o objetivo desta foi dar “voz” e uma chance de que os velejadores compartilharem suas percepções. São comentários genuínos, fornecidos por pessoas que já foram proprietários, que possuem veleiro, que velejaram ou que velejam. Não de pessoas sem qualquer conhecimento da vela, como faz menção uma das respostas ilustrando um ponto ruim da vela (que reproduzo): “…um bando de brokers, fornecedores e prestadores de serviço que nunca foram proprietários de um veleiro e nem ao menos pisaram em um algum dia. São ignorantes da vela que, por acaso, tem um emprego no mercado náutico. Não dão opinião… eles vomitam opiniões só para poder vender. Então pergunto: Como podem, pessoas totalmente sem conhecimento, acharem que podem dar suas opiniões neste mercado? É um dos motivos que o mercado náutico no brasil está no buraco. – Não quis se identificar”.

Outros comentários trazem, através de experiências vividas, indicações de como podemos recuperar a vela no Brasil, como, este trecho do comentário do Sr. Egmont Capucci: “…Não me imaginem saudosista. No entanto,  estou seguro  que o gosto pelo mar deve ser incutido nas crianças com a participação direta dos pais, como meu velho fazia a bordo do K, acampando em Paquetá ou Jurubaíbas, dormindo a bordo, fazendo comida e participando de tudo que a garotada gosta como banho de mar e lavagem do barco na chegada ao clube.

Acreditamos que, ao permitir que os usuários compartilhem suas opiniões e experiências, todos se beneficiam e ficam melhor informados sobre o que realmente é o mercado da vela no brasil. Com isso, esperamos, ajudamos a melhorar a experiência de se ter um veleiro e velejar, em vez de apenas “pintar” uma imagem ruim do mercado. Espero que as opiniões abaixo tragam à tona o bom e o ruim e que, uma vez entendendo o ruim, você, esclarecido, possa evitar as armadilhas do mercado e seja encorajado a se tornar mais um proprietário de veleiro… como diz a chamada da SailBrasil Magazine: A vida é sempre melhor em um veleiro!

Abaixo, verão as respostas que recebemos em ordem de chegada, sem qualquer trabalho de edição ou censura… tem até as fotos que alguns nos mandaram junto, o que achei muito legal!

 

Respostas à pesquisa realizada em 12/04/2017 através dos usuários SailBrasil.com.br e recebidas por e-mail:

(1)

1 – Maior intercâmbio entre os clubes de vela e as flotilhas. Deveria ser criado um diretório nacional e por estado e cidade  dos clubes e flotilhas.

2 – Maior divulgação entre as flotilhas e clubes dos comerciantes e fabricantes de equipamentos para vela.

3 – Maior divulgação e acesso a livros, revistas e cursos de vela.

–  Não quis se identificar.

 

(2)

Essa é a minha paixão – VELEJAR.

Desde os meus 10 anos de idade sou aficionado pelo mar e por veleiros, estando agora com 60 anos, são 50 anos de boas velejadas.

Jorge Antônio Lopes (frente) no veleiro com amigos.

Temos um magnífico litoral, com belas praias e ilhas que não deixam nada a desejar aos paraísos tropicais fora do Brasil, entretanto com muito poucos lugares para se guardar barcos, sendo que esses já estão praticamente superlotados e com taxas altíssimas.

A nossa única marina pública (Marina da Glória) agora já não é mais pública, cobrando até taxas para embarque/ desembarque.

O meu barco fica em Niterói, se quiser pegar um amigo que more no Rio, não tenho mais como embarca-lo sem desembolsar o pagamento dessa taxa.

Ou ele encontra comigo no meu clube ou se submente a pagar a taxa de embarque na marina.

Assim, fica difícil, entre muitos outros agravantes a disseminação da vela não só no Rio de Janeiro com em todo o Brasil. – Jorge Antônio Lopes

 

(3)

O mercado é regular, muita informação repetida e não dão de baixa nos veleiros já vendidos. – Gustavo Pignolo

 

(4)

Meu nome é Ugo Gallicchio sou velejador e já tive um Delta 26 por 7 anos. Velejei e participei de campeonatos no Guaíba e já velejei na Logoa do Patos e em Angra dos Reis. Atualmente estou sem barco, mas pretendo comprar.

A minha sugestão é que no Brasil deveria ter mais marinas em todas as praias da nossa costa, o governo deveria incentivar a criação de marinas e não dificultar como hoje acontece com órgãos reguladores de prefeituras criando problemas, temos um exemplo aqui bem perto de Porto Alegre em Itapuã município de Viamão, tem uma marina do iate clube de Itapuã, que tem um canal de acesso totalmente assoreado e não consegue tragar por falta de apoio da prefeitura de Viamão e dificuldades de autorização de órgãos ambientais. Veleiro polui muito menos do que lancha, mas o que parece é que a dificuldade da criação de marinas incentiva o maior número de lanchas. Toda a cidade a beira mar deveria ser incentivada a ter a sua marina pública ou privada e com baixo custo para os velejadores. – Ugo Gallicchio

 

(5)

O bom é que adoro velejar e no Brasil temos regiões maravilhosas. Velejo na região de Angra dos Reis que para mim é o paraíso na terra (ou no mar rsrsrs). O ruim, ou melhor, o pior que existe no mercado náutico do brasil, em especial o de veleiros, é um bando de brokers, fornecedores e prestadores de serviço que nunca foram proprietários de um veleiro e nem ao menos pisaram em um algum dia. São ignorantes da vela que, por acaso, tem um emprego no mercado náutico. Não dão opinião… eles vomitam opiniões só para poder vender. Então pergunto: Como podem, pessoas totalmente sem conhecimento, acharem que podem dar suas opiniões neste mercado? É um dos motivos que o mercado náutico no brasil está no buraco. – Não quis se identificar

 

(6)

Como velejador a mais de 30 anos, tanto no mar, como em represa, considero que o setor passa por uma grave crise, no tocante a fabricação de veleiros no Brasil, retratado claramente nas recentes feiras náuticas.

Cada dia mais, vemos veleiros importados, de alto custo, e destinados a uma classe favorecida, em detrimento dos estaleiros brasileiros, que reduzem progressivamente a construção de veleiros pequenos e médios, porta de entrada para os amantes da vela.

Também, a falta de marinas, e alto custo de estadia, tem favorecido somente as grandes lanchas, cada dia mais presentes em nossas águas, em detrimento dos veleiros, cada dia mais escassos, e com frota de idade média avançada.

A continuar assim, a vela brasileira está fadada a uma extinção de médio prazo! – Eduardo Schwery

 

(7)

Acho que falta local para embarque e desembarque nas cidades costeiras. Na Europa e Estados Unidos todo mundo consegue chegar com seu veleiro e amarrar em um píer público e curtir a cidade. No Brasil não tem onde amarrar para visitar terra, a não ser em uma marina, que não deixa amarrar ou cobra a estadia. Falta píer público para podermos fazer turismo náutico. Isso desenvolveria em muito a náutica no Brasil. – Não quis se identificar.

 

(8)

O principal problema do nosso mercado náutico, no setor de vela, é a produção de embarcações novas, só temos a Delta ou cabe ao interessado comprar um projeto e faze-lo.

Outra característica do nosso mercado é a falta da oferta de equipamentos atualizados, seja de uma ancora aos equipamentos eletrônicos mais atuais.

Por último, o pior efeito da inexistência desses equipamentos é o de quando estes são oferecidos os preços são 3 vezes maiores do que o ofertado em outros países. – Claudio L. Renaud – VP Ubatuba

 

(9)

Duas Opiniões (uma boa e outra ruim).

Acredito que a boa seja que o interesse pelos jovens, em aprender a velejar e obter uma cultura náutica é crescente!!! Haja vista nossas meninas ano passado nas olimpíadas!!! Foi lindo demais!!!

Também temos observado que a televisão tem abordado mais temas relacionados com a cultura náutica, em vários aspectos, como mergulho, pesca, embarcações, e com isto, a Vela sendo sempre acaba mencionada. Vejamos como exemplo, a nova novela da Globo!

A Ruim, acredito que seja o fato de nossa educação básica na escola, não abordar temas, ou conteúdos, mesmo na cadeira de educação física, temas relacionados com a riqueza da nossa extensa consta brasileira, nossas origens através de grandes navegadores que colonizaram nosso país, e também adotar a Vela como uma opção de prática de educação física, e invés disso, repetir a ênfase no futebol!

Finalizando: Acredito que se nos mobilizarmos localmente e influenciarmos nossos vereadores, e ou secretários de educação nos municípios, possamos criar leis, que exijam incluir conteúdos programáticos no ensino fundamental das escolas, sobre náutica! Principalmente, por Náutica ser nossa vocação natural de caiçaras!… e assim termos mais cidadãos com cultura náutica e por sua vez desenvolvendo atividades relacionadas com a Vela! – Denis Ronaldo

 

(10)

Sou proprietário de um Nômade 26 (projeto Nestor Volker) guardado em seco no centro velico do ICRJ. Tenho 73 anos, devendo me aposentar daqui a três meses.  Velejo desde os 11, iniciando na vela pela Classe Karioca,  a bordo de barco comprado por meu pai, o Algarvius, K-6-33.

Não me imaginem saudosista. No entanto,  estou seguro  que o gosto pelo mar deve ser incutido nas crianças com a participação direta dos pais, como meu velho fazia a bordo do K, acampando em Paquetá ou Jurubaíbas, dormindo a bordo, fazendo comida e participando de tudo que a garotada gosta como banho de mar e lavagem do barco na chegada ao clube.

Veleiro Senza Paura – Foto: Egmont Capucci

Infelizmente  esta prática sumiu com a poluição da baía. No entanto, não creio que a opção atual seja a melhor, comprando um Optimist e cobrando do guri os melhores resultados em regatas, bastando para tanto apenas pagar pelas necessárias despesas. Creio que estas cobranças levam prematuramente  os filhos a desistirem do barco, pois o único prazer seria o primeiro lugar. Assim, a marinharia acabou.

Veleiro Senza Paura – Foto: Egmont Capucci

Com referencia aos adultos, hoje quem possui barco pensa primordialmente em ganhar regatas, e não participar de passeios com  a família. Imagino que a alternativa seria implantar projetos de popularização da vela, que poderia ser feito principalmente através de prefeituras que se dispusessem ceder terrenos para guarda a baixos custos de pequenos veleiros de 12 a 24 pés, que poderiam ser construídos artesanalmente, podendo ser cabinados, com espaço para  acolher pais e filhos e assim fazer a interação com o mar. Por exemplo, além da Marina da Glória, hoje utilizada a custos proibitivos, (tanto assim que nota-se crescente marina dos pobres na Praia da Urca) vela se pratica  no Brasil na base de altos custos, somente acessível a classe média alta. Por exemplo, o aterro poderia ter outra marina, mais simples e não sofisticada, ao lado da existente, contando com rampa para acesso ao mar, bastando construção de pequeno molhe,  sem ferir a paisagem. Cito meu próprio exemplo. Para manter meu barco, pago ao clube mensalidade de R$ 900,00 reais mais cerca de 300 para vaga, sem falar com os gastos normais de manutenção. Outro problema que vejo é a falta de marinheiros com experiência suficiente para participar como tripulante de travessias mais longas, como até Angra ou Ilha Bela. A maioria não possui conhecimentos suficientes que permitam você tirar mesmo um cochilo durante a travessia. Assim, o passeio de torna em constante preocupação. Finalmente, tenho tido dificuldades em encontrar velerias que cortem  velas com material importado, me obrigando longa espera por material de melhor qualidade. Esperando ter sido útil a pesquisa, a disposição. – At, Egmont Capucci

 

(11)

Não tem Cop…a Palace (omitimos o nome do hotel) nem outro ressorte no mundo que te dê a maravilhosa sensação de se estar no seu veleiro de férias. O ruim é que estou chegando a conclusão que pode ser mais barato ficar de vez em quando no ressorte do que ter um veleiro o ano todo. Mas aí saio pra velejar e essa conclusão desaparece. Amo velejar! – Não quis se identificar.

 

(12)

Boa noite. Infelizmente o mercado da Vela no Brasil está num período decrescente ha muito tempo. O ciclo de construtores que se aventuram a construir está cada vez mais curto. Causas? podem ser muitas, desde o custo de insumos, falta de incentivos do Estado, mão de obra cara, mas o principal pode residir no poder aquisitivo restrito, as constantes crises econômicas que abalam qualquer iniciativa no setor. – Vitor Hugo Konarzewski – Veleiro Mediterrâneo – Atobá 25. RS

 

(13)

Existe um monte de opiniões e informações desencontradas e erradas por aí. Eu, como proprietário de um pequeno veleiro Fast 230, achava que estava a margem da vela. Meu veleiro não é um dinghy e nem um grande veleiro de oceano e apanhei muito até encontrar o lugar certo para achar apoio e as informações que precisava. Nas lojas era visto como o primo pobre da vela porque o vendedor acha que não dá pra vender nada pra mim… Foi ao encontrar a SailBrasil que tive confirmação de que o que importa é velejar e que a opinião desses “sem barco” que vendem produto não tem importância. Hoje curto o lado BOM da vela e simplesmente velejo meu veleirinho com prazer sempre que posso. –  Não quis se identificar.

 

(14)

O bom é a liberdade de sair por aí com o veleiro sem ter data e hora para voltar. Voltar, só pra trabalhar. O ruim, como dono de veleiro, é a sensação de estar sempre sendo roubado pelos prestadores de serviço e de peças e o custo absurdo das marinas. Queria poder diminuir os custos mensais do meu veleiro. – Não quis se identificar.

 

(15)

Adoro participar de regata com meu veleiro. Meu grande problema é conseguir tripulação safa para velejar em regata. Tá difícil. Agora, se é para ir a uma ilha fazer churrasco e beber cerveja, tem um monte de gente querendo ir. Temos de mudar a cultura da competição de vela e promover o desenvolvimento de mais velejadores. O que as marinas estão fazendo? Nada. Só querem cobrar para deixarmos o veleiro lá sem ter de fazer nada. – Não quis se identificar.

 

(16)

Os meios de comunicação brasileiros definidos como “do meio náutico”, são projetados para indivíduos condicionados por uma imagem estereotipada da vida no mar. No Brasil, esta imagem é o de pessoas que possuem barcos luxuosos, geralmente a motor, ancorados em uma marina, realizando passeios rápidos, em navegação costeira. Ou seja, a mídia náutica tradicional brasileira promove a cultura dos “navegantes de marina”.

Veleiro Gaia velejando rumo a Ilhabela – Foto: Max Gorissen

Ao contrário, gosto de pensar que faço parte de um grupo de pessoas que se atrevem a conquistar novos lugares, em pontos distantes, sem se subordinar aos estereótipos impostos pelo mercado, onde o desejo de liberdade não representa uma simples metáfora de posse ou de status. Acho que no Brasil, o velejador, precisa começar a refletir sobre a vela de uma maneira mais aberta e livre. De opinião. Da opinião nascida a partir da compreensão do que é a liberdade de se navegar em cruzeiro por longos períodos, em mar aberto, superando medos, por vezes isolado e em total inserção na natureza. O ruim é que é um mercado cheio de opiniões e falso status. Na vela, não importa o tipo, tamanho, ano ou estado do seu veleiro, o que importa deveria ser velejar. – Max Gorissen – veleiro Gaia 1 – Guarujá – SP.

 

(17)

O que não falta onde velejar , seja em lagos, represas, rios e mar.  Pode-se praticar o ano inteiro, já que o nosso clima é ameno, e o que sobra em abundância na natureza, falta em infraestrutura náutica e em especial à Vela. Poucas e caras marinas, onde na grande maioria oferecem muito pouco, dificuldades de peças e serviços, escassez de profissionais especializados e por último a falta de opções de embarcações novas fazendo com que os preços assumam valores altos e uma flotilha antiga e ultrapassada, na média de quase trinta e cinco anos de uso . É assim que tristemente vejo a nossa realidade na Vela. – José Manuel Alvarez Calzada.

 

(18)

A Região Sudeste é favorecida por inúmeras vias navegáveis marítimas e interiores, porém, a possibilidade de colocar-se um barco na água é dificultada pela falta de rampas públicas, independentemente de se tratar de um veleiro pesado ou um menor, sobre uma carreta rodoviária. A estadia em clubes e marinas é caríssima, devido ao círculo vicioso de pouca demanda, pouca receita, e custos divididos entre os poucos proprietários.

Falta a cultura da vela no Brasil. Por isso, os custos, para quem quiser se iniciar na vela são exorbitantes, também porque pouquíssimos velejadores potenciais têm a iniciativa de construir seu próprio barco, a custos bem menores. A maioria das pessoas “manda fazer”, ou seja, compra o barco pronto, enche-o de badulaques eletrônicos desnecessários e depois reclama dos preços. Ainda hoje, muitos creem que sem GPS é impossível velejar. – Werner Rossger.

 

(19)

De ruim, marinas de um modo geral muito caras e poucas. Agora que estou no Rio de Janeiro, encontrei o que tem de pior neste assunto.

Apesar de ter um veleiro importado pois quando fui comprar um de Marca Wind já tinham parado de fabricar, e minha melhor opção foi comprar um importado por falta mercado de barcos nacionais.

Lado bom, Velejar cruzeiro continuamos encontrando sempre pessoas com a mesma vontade de ver o mundo com olhos melhores e ajudar sem precisar de algo em troca. – Marcos Olivio

 

(20)

Tenho veleiro em São Francisco do Sul, cidade portuária em uma baía bem localizada, acesso fácil.

O interesse pelo ambiente que não seja portuário/ cargas, é inexistente.

Faltam marinas públicas com serviços e preços acessíveis. – Anibal Rodrigues

 

(21)

BOM – O interesse que a vela desperta. O brasileiro de modo geral acha a vela bacana, acha que aquilo ali deve ser bem legal. No entanto, sabe que É CARO, MUITO CARO…. e que vai ser difícil praticar. Vejo isso quase todo o tempo. Eu tive barco por dois anos. Sou do Rio de Janeiro, nascido em Copacabana. Hoje moro em Armação dos Búzios – RJ. Tive um ALPHA 220, e ficava na Marina da Glória. As vezes estava lá lavando o barco, arrumando, alguém entrava na Marina, ia passear, daqui há pouco estava no finger, puxava assunto, pedia prá ver o barco, como era, como não era, quanto custava, deve ser muito bom, blá…blá…blá… mas cadê um acesso básico? Como começar com um barco pequeno? Onde aprender? Como se envolver com a coisa, sem ser sócio de um clube, sem ter que comprar títilo patrimonial, sem ter que pagar o aluguel de um apartamento para guardar o barco? Pelo nosso tamanho eu ainda acho que somos um país de costas para o mar, mas você vê nítidamente que os barcos a vela encantam a maioria das pessoas.

RUIM – Nosso mercado náutico é, na maioria das vezes, voltado para “os cachorros grandes”. Isso é uma dificuldade, porque as coisas deve ter seus degraus, como uma escada. Quando tinha meu barco (eu vendi para poder equacionar minha mudança para Búzios), por exemplo, revisar o estaiamento dele foi um pequeno problema. Você acaba tendo que recorrer a autônomos que “prestam esse serviço”, as empresas grandes nem querem saber, porque dá trabalho quase igual ao do barco grande para montar e regular, e não dá o mesmo lucro no conjunto do trabalho. Não olham pelo lado de que este usuário, pode vir a ser o futuro cliente deles com um 40 pés.  As vezes beira o desprezo simples e cru. Outra visão,  é que o mundo da náutica é dos lanceiros e jet-ski. Isso também tá muito comum.  Luiz Roberto G. Pereira.

(22)

Ponto forte: opções de turismo – é algo que podemos elogiar, devido à enorme costa brasileira e também aos rios, lagos e represas navegáveis que temos no Brasil, só reclama de falta de opção quem quer. É claro que tudo dá pra melhorar, mas eu me sinto satisfeito com as opções que tenho.

Ponto Fraco: Prestadores de Serviços – com certeza, o que mais incomoda a mim e aos meus amigos que tem barco é a má qualidade dos serviços prestados. Me baseio na região de Paraty e Ilhabela que costumo frequentar, mas estou certo que isto se estende às outras regiões brasileiras, com poucas exceções. Prestadores que não atendem o telefone e sequer retornam recados ou mensagens é comum. E mesmo quando você consegue o contato, demoram para mandar orçamento, não cumprem prazos, realizam o serviço incompleto e, por fim, sem boa qualidade. Se eu pudesse mudar algo, seria nesta área, pois as outras questões não me incomodam tanto. – Adilson Ferreira.

 

(23)

Tenho um Daysailer, adquirido recentemente em Cabedelo-PB, como meu primeiro barco.

Em Cabedelo há uma consistente flotilha de Daysailers e a comunidade mantém um bom inter-relacionamento. Ninguém fica sem velejar por falta de cooperação.

Apesar de o lugar ser muito propício ao tipo de velejada, encontro a infraestrutura da navegação à vela aqui meio precária, se comparada àquela encontrada no sudeste. Me refiro não só às marinas, como também aos fornecedores.

Se formos comparar com o que existe nos EUA e na Europa, o Brasil está muito atrasado nessa atividade. O NE, mais ainda. – Christian Mari.

 

A vida da vela é um estilo de vida que muitos poderiam usufruir… não fossem alguns dos problemas relatados acima e, realmente, o alto custo de se ter um veleiro no Brasil. Contudo, quem consegue, mesmo tendo um pequeno veleiro (a maioria dos veleiros mundo afora são pequenos e as pessoas curtem do mesmo jeito que com os grandes), passa a usufruir deste estilo de vida que é muito gotoso e divertido.

A medida que mais pessoas se tornarem proprietárias ou tripulantes em veleiros de outras pessoas, abriremos a oportunidade de desenvolver, mudar e crescer o mercado da vela garantindo que relação na propriedade de um veleiro não seja apenas um monte de aborrecimentos mas também um monte de alegrias que superem os aborrecimentos.

Esta é apenas a primeira pesquisa de uma série que tem por intuito montar uma visão do mercado da vela no Brasil, seus benefícios e desafios, para servir de base para que novos investimentos/ investidores em infraestrutura, turismo, equipamentos, serviços, produtos, ancoradouros, pires, treinamento, etc possam ser entendidos e dimensionados.

Sem isto, a indústria e o estilo de vida da vela no Brasil não vão a lugar algum.

Após esta primeira pesquisa, que basicamente buscava opiniões, iniciaremos uma série de pesquisas mais detalhadas para contribuir para com o mercado da vela brasileiro.

Bons ventos!

 

Max Gorissen

Velejador e Editor da SailBrasil.com.br e SailBrasil Magazine

2 comentários em “Resultado da Pesquisa SailBrasil sobre a vela no Brasil.”

  1. Conclusivamente a vela no Brasil sofre uma longa crise e retrocesso. O numero de veleiros de oceano, costeiros, final de semana, monotipos, etc… enfim de todos os modelos e tamanhos estão em em produção regressiva ao longo dos últimos 15 anos no país.
    Resumo as razões dessa crise profunda em três aspectos:
    1) Falta de infra estrutura náutica. O modelo que optamos foi por Marinas particulares e alguns clubes ou agremiações sociais. Como manter uma Marina tem realmente um custo elevado, optou-se prestar serviços para ter maior rentabilidade por unidade. Nossas Marinas objetivamente são para prestar serviços para barcos que pagam mais, Iates de luxos, grandes veleiros e lanchas grandes.
    Os chamados Iate Clubes se preocupam bem mais com atividades sociais do que pela pratica do esporte, propriamente dito. Por meios de seus estatutos se sobrepõe práticas sociais que supostamente rendem mais para manutenção do clube em detrimento das atividades da vela em geral. Por simples questões de esgotamento da capacidade de receber novos sócios as cotas super valorizaram-se, portanto são pouquíssimas as renovações nos quadros sociais para iniciantes.
    A nossa burocrática legislação, falta de segurança pública e o desconhecimento do segmento náutico pelo poder público, sobretudo as Prefeituras Municipais, não têm olhos para nossa orla e patrimônio costeiro, fluvial e lacustre. Ou seja, não espere por marinas públicas, simples ancoradouros urbanos ou de balneários, nas incontáveis localidades de nosso litoral. Espaços que se poderia ter acesso e um minimo de serviço, tais como: água potável, energia, rampa de embarque, segurança, que por sua vez seriam vendido. A garantia para deixar ou chegar tranquilamente com seu pequeno barco levaria um numero muito maior de pessoas optarem por esta forma de lazer e estilo de vida. Mais serviços e mais unidades produzidas, mais emprego e renda. As nossas cidades e portos não tem olhos para tais espaços nem para a própria pesca artesanal, que se estruturam de forma autônomas, desorganizadas e ao longo da costa brasileira.
    2_ Profissionalização ou a falta dela, e investimentos nos estaleiros do segmento de barcos a vela:
    No país a estrutura naval organizada, produtiva e competente é mais visível entre os grandes fabricantes offshore, embarcações de petróleo e gás, passageiros, lanchas a motor e serviços. No segmento de veleiros, acho que para fugir na nossa cruel legislação, presencia-se uma proliferação de fabricantes de fundo de quintal que se confundem com estaleiros regulamentados juridicamente, com empregos formais, sujeitos a tributação e legislação vigente, com investimentos e estrutura próprias, e toda sorte de licenças. Enquanto que, por um lado têm-se os incontáveis produtores informais de fundo de quintal, vendendo imagem profissional, de qualidade duvidosa, com mão de obra sub empregada, as vezes beneficiados por certos acordos escusos ou concessões públicas tendenciosas, exercendo uma concorrência de desleal, ou antropofágica, com custos mascarados. Por ouro lado, se identifica nos dias de hoje apenas uma meia duzia de estaleiros fabricantes de veleiros estabelecidos, em atividade regular e formal no país, verifica-se isso com uma rápida pesquisa pela internet. O resultado desta forma organizacional é uma produção insustentável com sucessivas quebras de negócio. Enfim, não há uma politica industrial consistente e consciente compatível com o segmento de produtores de veleiros.
    Nem vamos entrar no mérito de que não temos industria de componentes e acessórios no país, e que os custos de importação legal destes insumos são elevadíssimos, e a concorrência dos montadores de contrabandos é nefasta para os geradores de empregos legais.
    3_ Comunicação e imprensa
    Como o cenário náutico ao nosso redor é de apenas algumas marinas privadas e clubes exclusivos, não seria de se estranhar que a divulgação se atenha a sobretudo ao mercado, ou seja de mega iates, lanchas e barcos importados. Me desculpem, nem sempre gosto de fazer comparação ou outro países onde a vela é atuante, mas cabe aqui conferir que temos uma produção de embarcações regionais e locais no Brasil, que parece como se fosse aquele lado feio da casa que não gostamos de mostrar, enquanto em muitos países da Europa aquela singela canoa a vela regional, ou casco a remo convive lado a lado com as embarcações modernas que tiveram maior aporte de investimento. Quero dizer que temos uma imprensa e midia que segmenta as embarcações entre locais, regionais, de luxo, baratas, etc….enquanto tudo é barco! Precisamos promover, a imprensa e mídia poderiam ajudar, proporcionar, incentivar uma onda de orgulho propriamente nosso, mais horizontal, de todos os barcos dos nosso Brasil

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