A Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande precisa de pintores voluntários – interessados devem contatar a Diretora de Patrimônio e Museus da Prefeitura de Guarujá

Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande – Foto: Max Gorissen

PARA VIVER UM POUCO MAIS …

Ao ultrapassar os 80 anos de idade ouço com frequência a palavra “senhor” e o seu complemento carinhoso: “não parece tão idoso !?”. Quando pedem a “receita”, cito o excelente e harmonioso convívio com as minhas três Famílias: a que leva o meu sobrenome (o lar); a que empenho o meu nome (o trabalho); e, a que projeta o meu nome (um “hobby” cultural).  

Em 1993, adquiri o “hobby” abaixo em circunstâncias inesperadas e por conta da assinatura de um Protocolo de Intensões entre o Instituto Brasileiro do Patrimônio Cultural (atual IPHAN), a Prefeitura Municipal de Guarujá e a Universidade Católica de Santos, com a seguinte justificativa inicial: “A Fortaleza da Barra Grande constitui-se no mais expressivo exemplar da arquitetura militar do Estado de São Paulo. Guardiã do nosso território por quatro séculos, exige, hoje, a reciproca da sociedade, pela sua proteção”. Esta reciprocidade ainda não chegou com a força que ocorre mundo afora, embora com um enorme passo à frente: sua inclusão no Sistema Nacional de Museus.

Mas, uma sobrevida de mais 500 anos está agora nas mãos dos habitantes da nossa região, pois ela foi indicada pelo governo do Brasil (MinC/Iphan) para concorrer ao honroso título de Patrimônio da Humanidade pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura. Esta iniciativa “pode ensejar a participação de gestores de sítios, autoridades locais e regionais, comunidades locais, ONGs e outros interessados na preservação do patrimônio cultural e natural do país (IPHAN, Notícias), com a finalidade de oferecer subsídios à visita “in loco” de uma Comissão Verificadora a ser indicada pelo ICOFORT – International Scientific Committee on Fortifications and Military Heritage.

O livro digital PORTO DE SANTOS: Armada no mar & Bandeiras na terra (www.secomandi.com.br), Capítulo 10, contém o “passo-a-passo” do que está por se fazer (…) E, uma preocupação: se este fantástico exemplar da arquitetura militar colonial não for importante para a sociedade local, certamente não o será para a Humanidade. O Capítulo 11 contém alguns exemplos de atividades experimentais já desenvolvidas, dentre inúmeras outras.

 A UniSantos, por exemplo, abriu uma aba na extensão universitária do seu portal para abrigar o projeto EDUCAÇÃO PATRIMONIAL: Fortes e Fortalezaswww.unisantos.br/fortifications – “administrado” por mim, voluntariamente, com enorme satisfação e sinceros agradecimentos. Outra ação exemplar e importantíssima foi realizada na semana passada (21/03/17) por soldados da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea que lá chegaram pela manhã e em apenas um dia de trabalho fizeram a maior limpeza das duas antigas plataformas de tiro; cortaram a vegetação ciliar que escondia a cortadura de pedras que se estende até Portão Espanhol; e, iniciaram a pintura a cal virgem das partes internas nas muralhas de pedras. Os soldados chegaram em ordem e silêncio, trabalharam com afinco e se foram em ordem e silêncio, com a sensação de “missão cumprida!”. O Comando Militar sediado no Forte dos Andradas recebeu ofício do superintendente do IPHAN/SP, com efusivos agradecimentos por tão significativa ação comunitária.  Esta ação exemplar e estimuladora precisa ser complementada por um trabalho não recomendado para soldados. Ou seja, os serviços profissionais de um ou mais pintores de paredes externas (a cal, pois as muralhas respiram) para finalizar os trabalhos e permitir que as exuberantes muralhas de pedras, pintadas de brancas, sejam expostas ao sol do entardecer. Como um grande palco que emerge sobre as pedras de um esporão rochoso, saindo da verdejante Mata Atlântica que a envolve junto ao mar, ela pode e devem ser contemplada literalmente de todas as praias e jardins à beira-mar que molduram a Baía de Santos.

Se você leitor(a) for candidato a assumir este pequeno complemento da pintura das muralhas coloniais, basta contatar a Diretora de Patrimônio  e Museus da Prefeitura de Guarujá: o cal e brochas estão disponíveis. É chegar, trabalhar e ir embora sem qualquer outro compromisso.

Finalizando: há mais de 434 anos e ainda hoje, a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande “vigia” a embocadura de acesso ao maior Porto da América do Sul, pois todas as embarcações “desfilam” necessariamente diante de suas espessas e rústicas muralhas de pedras, outrora guarnecidas com canhões coloniais manobrados por homens construtores de um fantástico sistema defensivo, que ainda hoje permeia a fronteira terrestre e o litoral deste nosso imenso Brasil.

Mas, alguém pode estar preocupado com as minhas recompensas. Pois bem: este “hobby” cultural elevou o meu nome ao que alguns chamam de “imortalidade !?”, na Academia de História Militar Terrestre do Brasil, na Academia Brasileira de Engenharia Militar e na Academia Santista de Letras. Conquistei-as apenas com a parábola do “beija-flor” lançando uma gota d’água sobre as chamas do incêndio na floresta, na esperança de que outros prossigam com mais eficiência.

Elcio Rogerio Secomandi

Militar reformado / Professor aposentado

ersecomandi@gmail.com

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