Tem botes de apoio que duram para sempre…

Bote Walker Bay 8 pronto para ser rebocado até Ilhabela onde participei com o veleiro ORM – um Quarter Tonner – Ranger 26 1983 da RISW em 2013. Nesta foto dá para observar, no banco do meio, a abertura para instalar a bolina e, no banco da frente, a abertura para se instalar o mastro com a vela.

Decidir ter um bote de apoio para embarque e desembarque é algo bastante óbvio se você tem um veleiro já que, o veleiro, tem calado mínimo e não chega perto de praias e locais com pouca profundidade… contudo, é importante pensar antes de decidir, com base no uso que se quer dar ao veleiro ou na sua habilidade e necessidade específica, que tipo de bote comprar.

Para muitos, a decisão é simples: compra-se um bote de borracha e pronto. Os famosos RIB (Rigid iflatable boat).

Passei a noite fundeado na Baia do Indaiá – Bertioga – SP. O bote WB8 está sempre comigo em todos os passeios ou cruzeiros. Além de ajudar no embarque/ desembarque, é perfeito para realizar “aventuras” em praias, pedras, mangues todos forrados de cracas, mexilhões, ostras e outros objetos cortantes…

No meu caso, a decisão por um bote de borracha não era assim tão simples já que tinha, e ainda tenho, minhas restrições com relação aos botes de borracha.

E não é para menos… velejo há anos e durante todos esses anos a maioria dos betes de borracha que vi estão sempre furados, murchos, com as borrachas manchadas, descoladas ou desbotadas pelo tempo. Nada contra os botes de borracha, ao contrário, se bem mantidos, são extremamente úteis, estáveis e convenientes, contudo, quando decidi pelo tipo de bote que queria comprar, uma das premissas obrigatórias era que NUNCA teria de me preocupar em ter um bote furado ou murcho… com esta premissa, a decisão já estava tomada: teria de ser um bote rígido. Então, com isso definido, era decidir pelo tipo de material do casco: madeira, fibra de vidro, ABS ou alumínio, já que, aço e materiais exóticos foram descartados de cara.

Passando pela Ilha dos Arvoredo (ou do Lee) na praia de Pernambuco – Guarujá – SP – Sempre rebocado na popa do veleiro ORM, no Gaia 1, se não quero rebocar, dá para apoiar invertido na proa ou, se velejando com a genoa, em um dos bordos.

Outras premissas eram: poder usar apenas remos, não afundar, aguentar: cracas, mariscos, ostras, anzóis e outros objetos perfurantes, ser relativamente estável, ser leve, não machucar o casco do veleiro, ter borda baixa, ser fácil de se subir a partir da água, ser fácil de trazer para o deck do veleiro, ter assentos rígidos e, se possível, que desse para velejar.

Após muita procura e já tendo descartado o bote de alumínio, encontrei o bote Walker Bay 8 em uma revista norte americanas e, por acaso (ou sorte), uma loja de materiais e produtos náuticos brasileira havia importado um lote destes botes.

Comprei, no ano de 2004, meu Walker Bay 8 (Walker Bay – WB8), um bote construído em ABS moldado, na cor branca (tinha opção por um verde musgo), fabricado nos USA, com bancos azul claro flutuantes. Existia na época o opcional de um jogo de vela, leme e quilha que, infelizmente, não comprei. Me arrependo até hoje… ainda da para adaptar um conjunto do veleiro Optimist ,que devo fazer em breve.

Walker Bay 8:

  • Comprimento (LOA) = 2,50 m
  • Boca (BEAM) = 1,32 m
  • Deslocamento (weight): 32 Kg (dá para levantar sozinho!)
  • Capacidade motor: 2 HP
  • Tripulação: 2 pessoas

É importante salientar de que, no início, até você pegar o jeito, o bote é muito instável já que, a distribuição do peso das pessoas no bote é muito importante para seu equilíbrio. É muito difícil ele emborcar, contudo, se alguém muda de posição em relação ao centro de gravidade do bote, você sente na hora. Se alguém que está na proa, repentinamente, desce do bote, a proa sobe rapidamente. Outra coisa é se acostumar com o uso do motor de popa, geralmente um Mercury 3.3 HP (não temos muitas opções no Brasil), que é muito limitado na posição dos comandos de aceleração (ficam no motor e não no manche) e, a ré, se realiza virando o motor em 180 graus no seu eixo… como para alcançar e realizar estas operações você tem de ir até a popa, a proa sobe dando aquela sensação de insegurança. Outra coisa que a experiência mostrou; se você tem alguém sentado na proa e por coincidência bate uma onda pela proa, se não prevenir mudando o centro de gravidade com o movimento da pessoa antes da onda bater na proa, vai entrar água já que, a borda, com duas pessoas, fica bem rente á água. É tudo uma questão de se acostumar e pegar as manhas… não é um bote para pegar ondas… mas é muito divertido!

Desde 2004, meu WB8 já passou por quase tudo… além do procedimento de embarque e desembarque para o qual o adquiri, fiz altas “aventuras” com ele onde saíamos eu e meu filho (em quanto eram todos leves e pequenos, as vezes também com meus sobrinhos e amigos do meu filho), quando tinha uns 5 anos, para realizar “aventuras” e descobrir ilhotas e esconderijos pelo mangue… pescamos muitos siris com as gaiolas, batemos em muita pedra da nossa costa e, acho que não preciso mencionar, com todo o uso e abuso, foram inúmeras as quantidades de vezes que o casco bateu em cracas, mariscos, ostras e outros objetos cortantes… as marcas ficaram gravadas no casco… algumas também na nossa pele após cortes por descuido, contudo, tanto o bote quanto nós, continuamos em perfeito estado de conservação… um pouco mais velhos, mas bem. 😊

De qualquer maneira, depois de 13 anos de uso, resolvi que queria tirar o nome do meu antigo veleiro ORM da popa (na época pintei o nome ORM no espelho de popa) e queria que o bote tivesse a mesma cor azul clara do meu novo veleiro, o Gaia 1.

Como bom velejador e amante do conceito “faça você mesmo”, decidi eu mesmo pintar o casco do bote… Siga a seguir o procedimento realizado na pintura e veja o resultado final.

Preparando o bote para lixar e pintar. É importante que a altura do bote esteja boa para evitar de que você fique fazendo malabarismos e forçando a coluna. Dois cavaletes resolvem. As marcas amarronzadas são apenas sujeira…
O nome do meu veleiro anterior, o ORM, que quero remover do espelho de popa.
Marcas “profundas” do tempo…
Marcas deste tipo não tem nada a ver com bater em cracas, mariscos, ostras, etc… são do descuido de raspar o fundo no cimento ao transportar o bote sob sua rodinha na popa… após a pintura, terei de ter mais cuidado.
Materiais prontos para iniciar o processo da pintura.
Comecei lixando utilizando um “taco lixador”, contudo, pelo formato do casco não deu muito certo.
Depois de abandonar o taco, usei a lixa na mão que deu o acabamento perfeito já que entrava facilmente em todas as reentrâncias do casco.
Aqui mostro meu erro: usei uma lixa muito grossa para lixar, uma 80, pois pensei que o material seria muito duro… engano meu, esta lixa acabou riscando o casco como se pode ver (entre meus dedos, os outros ricos mais profundos são de arranhar no cimento como relatado anteriormente) e retirou mais material do que era necessário. Como era somente para retirar a camada brilhante/polida para ajudar na fixação da nova tinta, uma lixa 220 teria sido suficiente.
Após virar o bote para tirar o pó de plástico resultante do lixamento, passei um pano com álcool para tirar quaisquer gorduras ou sujeiras do casco. Repare no centro do casco, a “tampa” por onde se passa a quilha no caso de se utilizar o kit de vela.
Casco lixado e limpo… ainda restam algumas marcas profundas, contudo, é um bote para ser usado e não tenho nenhum problema de que não esteja perfeito…
Sempre utilize a melhor trincha ou pincel que encontrar. Repare que vou utilizar uma tinta composta de dois componentes: uma lata contendo a tinta azul clara (Componente A) e, na outra lata, menor, o catalizador (Componente B).
Misturando os dois componentes (tinta e catalizador) na proporção especificada para obter um acabamento poliuretano acrílico alifático de alta durabilidade e alto brilho. O folheto menciona: “Apresenta excelente aspecto estético, retenção de cor e brilho e proporcionam melhor resistência ao intemperismo, a água salgada e a abrasão“. … tudo que preciso no casco do meu bote.
Aplicando da proa para a popa, de cima, do meio, para baixo.
Aderência incrível com apenas uma demão.
Casco todo pintado… reparem que deixei a borda branca, o suporte do motor de popa e em torno de onde sai a rodinha sem pintura. Esta decisão não tem nenhum objetivo prático, somente, achei que ficaria melhor esteticamente.
Assim de longe parece perfeito, contudo, a lixa 80 deixou “riscos” que prejudicou o acabamento, contudo, na próxima pintura do fundo, daqui a alguns anos, lixo com uma lixa 220 para corrigir as imperfeições… afinal de contas, é um bote de embarque e desembarque no qual a última coisa que quero é ter a preocupação de se vai arranhar ou riscar.
Essa tinta ficou excelente e vai dar uma proteção UV ao casco de plástico que fica normalmente amarrado no píer sujeito a intempéries… se reparar bem, dá para ver os riscos da lixa 80 no casco…
Bote no seu lugar no píer aguardando a próxima viagem… O motor de popa fica no suporte preso ao guarda mancebo de aço inox na popa do veleiro (direita da foto). A cor azul clara do casco do bote é um pouco mais escura do que a do casco do veleiro, contudo, não importa… o efeito desejado foi alcançado.

O bom destes botes de ABS moldado é que são praticamente indestrutíveis e, como fica claro pelas fotos, basta uma tinta para voltarem a parecer novos!

Foto: Portland Pudgy

Além disso, estive estudando outros usos para o meu bote e me deparei com esta empresa nos USA que utiliza botes fabricados em ABS moldado como substituto às balsas salva vidas… Portland Pudgy Lifeboat …eles afirmam que o uso do bote é mais seguro e pode salvar sua vida já que, com o bote, que permite o uso de remos, vela e até de um motor de popa, você não precisa esperar boiando por um resgate que pode nunca acontecer e sim, realizar seu próprio resgate… interessante… quem sabe a próxima pintura do meu bote será laranja!

Espero que este artigo tenha ajudado a abrir seu horizonte para outras alternativas de bote que não sejam os de borracha (RIB)… eu sei que, no meu caso, não abro mão do meu charmoso bote rígido, com seu design baseado nos antigos e chiques escaleres ingleses e que, com certeza, irá durar para sempre!

 

Bons ventos!

Max Gorissen

Editor e Velejador

Veleiro Gaia 1 – FyC 40 1987 e bote Walker Bay 8 😊

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